sábado, 15 de março de 2025



Saúde e Humanismo: Promovendo Conhecimento e Sustentabilidade na Sociedade


A saúde e o humanismo são pilares fundamentais para a construção de uma sociedade equilibrada, justa e sustentável. Enquanto a saúde diz respeito ao bem-estar físico, mental e social, o humanismo enfatiza a valorização da dignidade humana, da ética e da solidariedade. Juntos, esses conceitos formam a base para promover não apenas o conhecimento científico, mas também práticas que garantam a sustentabilidade e a qualidade de vida para as gerações presentes e futuras.


A Interseção entre Saúde e Humanismo


A saúde, em sua concepção mais ampla, vai além da ausência de doenças. Ela engloba o equilíbrio entre corpo, mente e ambiente, sendo influenciada por fatores sociais, econômicos e culturais. O humanismo, por sua vez, coloca o ser humano no centro das preocupações, defendendo a igualdade, o respeito e a compaixão. Quando esses dois campos se encontram, surge uma abordagem holística que prioriza não apenas a cura de enfermidades, mas também a promoção de condições de vida dignas e sustentáveis.


Nesse contexto, a humanização da saúde torna-se essencial. Profissionais da área devem ser capacitados não apenas tecnicamente, mas também emocionalmente, para compreender as necessidades individuais de cada paciente. Isso inclui escutar ativamente, respeitar as diferenças culturais e promover um ambiente acolhedor. A humanização também se reflete na criação de políticas públicas que garantam acesso universal à saúde, reduzindo desigualdades e promovendo a equidade.


O Papel do Conhecimento na Promoção da Saúde


O conhecimento é um dos principais instrumentos para a promoção da saúde e do humanismo. A ciência e a tecnologia têm um papel crucial no desenvolvimento de tratamentos, medicamentos e métodos preventivos. No entanto, o conhecimento não deve ser restrito aos especialistas; ele precisa ser democratizado e acessível a todos. A educação em saúde, por exemplo, é uma ferramenta poderosa para empoderar indivíduos e comunidades, permitindo que tomem decisões informadas sobre seu bem-estar.


Além disso, o conhecimento humanista — que inclui filosofia, ética, artes e ciências sociais — contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e críticos. Ele nos ajuda a refletir sobre questões como justiça social, sustentabilidade e o impacto das nossas ações no planeta e nas futuras gerações. A integração entre o conhecimento científico e humanístico é, portanto, essencial para enfrentar os desafios globais da saúde, como pandemias, mudanças climáticas e desigualdades.


Sustentabilidade como Meta Comum


A sustentabilidade é um conceito que une saúde e humanismo de maneira intrínseca. Uma sociedade sustentável é aquela que garante o bem-estar das pessoas hoje sem comprometer os recursos naturais e as condições de vida das gerações futuras. Nesse sentido, a saúde ambiental está diretamente ligada à saúde humana. A poluição do ar, a escassez de água potável e a degradação dos ecossistemas, por exemplo, têm impactos diretos sobre a qualidade de vida e a incidência de doenças.


Promover a sustentabilidade requer uma mudança de paradigma, tanto individual quanto coletiva. É necessário adotar práticas mais conscientes, como o consumo responsável, a redução de resíduos e o uso de energias renováveis. Ao mesmo tempo, governos e instituições devem investir em políticas que equilibrem o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. A saúde pública, nesse contexto, deve ser entendida como parte integrante de um ecossistema maior, onde o bem-estar humano e a saúde do planeta estão interligados.


Desafios e Oportunidades


Apesar dos avanços significativos nas áreas da saúde e do humanismo, ainda há muitos desafios a serem superados. A desigualdade no acesso aos serviços de saúde, a desinformação e a falta de investimento em educação são obstáculos que precisam ser enfrentados. Além disso, a globalização e os avanços tecnológicos trazem consigo dilemas éticos que exigem reflexão e ação, como o uso de inteligência artificial na medicina e a privacidade dos dados dos pacientes.


No entanto, esses desafios também representam oportunidades para inovação e colaboração. A integração de diferentes áreas do conhecimento, o diálogo entre culturas e o engajamento da sociedade civil são caminhos promissores para construir um futuro mais saudável e humanizado. A sustentabilidade, nesse sentido, não é apenas uma meta, mas um processo contínuo que requer compromisso e cooperação de todos.


Conclusão


Saúde e humanismo são conceitos que se complementam e se fortalecem mutuamente. Juntos, eles oferecem um caminho para promover o conhecimento, a justiça social e a sustentabilidade na sociedade. Ao colocar o ser humano no centro das preocupações e ao reconhecer a interdependência entre saúde individual, coletiva e ambiental, podemos construir um mundo mais equilibrado e resiliente.


A tarefa é complexa e exigente, mas também repleta de esperança. Com educação, empatia e ação coletiva, é possível transformar desafios em oportunidades e garantir um futuro onde a saúde e a dignidade humana sejam prioridades inegociáveis. Afinal, como bem nos lembra o humanismo, o verdadeiro progresso só é alcançado quando todos têm a chance de viver com plenitude e respeito.

terça-feira, 28 de maio de 2024

Será que é necessário trocar antigas obturações de amálgama?

 


Será que é, realmente, necessário trocar antigas obturações de amálgama?

A sedutora proposta de trocar antigos tratamentos dentários realizados com o tradicional amálgama é de fato necessário? Isso tem realmente embasamento científico? Esse é o debate do artigo a seguir.

Artigo de Grant Ritchey para o site Science Based Medicine

O que é o Amálgama?

O amálgama dentário é o material de obturação mais comumente usado para dentes cariados e quebrados e existe há mais de cento e cinquenta anos. Embora a sua utilização esteja a diminuir devido a materiais de preenchimento mais estéticos, preocupações com a toxicidade, melhor reembolso das companhias de seguros para materiais alternativos e outros fatores, ainda é colocado em mais de mil milhões de dentes em todo o mundo por ano.

O amálgama dentário contém aproximadamente 50% de mercúrio e é misturado com prata, cobre, estanho e outros metais para formar uma mistura plástica (ou seja, moldável) que é então condensada na cavidade onde endurece. Há muito que existe a preocupação de que o mercúrio contido numa obturação (embora quimicamente ligado à prata e a outros metais) possa ser liberado e causar uma série de doenças e condições, tais como esclerose múltipla, doença de Alzheimer, doença renal, bem como uma série de outras doenças que afetam todos os sistemas corporais conhecidos. Na verdade, a Noruega, a Suécia e a Dinamarca proibiram a sua utilização devido a preocupações com a eliminação ambiental e, na Suécia, também por questões de saúde. A população de pacientes em que se manifesta a maior preocupação são as mulheres grávidas e as crianças com menos de seis anos de idade, onde os níveis de limiar tóxico podem ser inferiores aos dos adultos. Países como os Estados Unidos e o Canadá não proibiram o uso de amálgama nestes grupos, mas emitiram alertas para potenciais problemas de toxicidade e incertezas sobre os seus possíveis efeitos. A Food and Drug Administration (FDA) declara: “Há informações clínicas limitadas sobre os efeitos potenciais das obturações de amálgama dentária em mulheres grávidas e nos seus fetos em desenvolvimento, e em crianças com menos de 6 anos de idade, incluindo bebês amamentados”, enquanto a Canadian Dental Association (CDA) afirma em seu siteNão há evidências científicas de efeitos nocivos [em mulheres grávidas ou crianças], embora se saiba que o mercúrio atravessa a placenta.”

Então, o amálgama dentário é seguro para uso em gestantes ou crianças pequenas? Se houver incertezas em torno dos efeitos do mercúrio nesta população suscetível, é ético para um dentista recomendar o amálgama dentário como material reparador para seus pacientes? E todos os outros? As obturações de amálgama são uma escolha legítima para restaurar um dente? Os riscos justificam os benefícios?

Amálgama dentário: uma breve história

O amálgama dentário foi usado pela primeira vez por um homem chamado Su Kung na China por volta de 659 dC. Mais recentemente, em 1528, um médico alemão chamado Johannes Stokers recomendou o amálgama como material de obturação dentária. Cinquenta anos depois, em 1578, Li Shihchen narrou uma mistura dentária de 100 partes de mercúrio com 45 partes de prata e 900 partes de estanho para obturação de dentes. Não se sabe quão bem ou quanto tempo durou qualquer uma dessas restaurações, pois havia poucos cuidados de acompanhamento ou manutenção de registros naquela época. Além disso, os meios pelos quais a cárie dentária era diagnosticada e removida era bastante primitivo para os padrões atuais. Mas provavelmente também não havia muitos advogados especializados em negligência médica naquela época, então por que não experimentar?

A próxima grande referência histórica ao amálgama prata-mercúrio foi registrada em 1826, quando um francês chamado Traveau descreveu um material de enchimento de “pasta de prata”, produzido pela mistura de moedas de prata com mercúrio. Em 1833, os irmãos Crawcours nos EUA introduziram o seu “Royal Mineral Succedaneum”, um nome sofisticado para uma mistura de moedas de prata francesas raspadas e mercúrio, misturadas numa pasta e colocadas na cavidade. Até então, o material de preenchimento mais utilizado era a folha de ouro, que era martelada na cavidade com um martelo. Era (e é) um ótimo material de preenchimento, mas era (e é) mais caro e mais difícil de colocar do que outros materiais e, portanto, raramente é usado hoje em dia. O amálgama dentário era oferecido como um material obturador barato e fácil de colocar naquela época da odontologia primitiva (a primeira escola de odontologia nos EUA só foi inaugurada em 1840).

A controvérsia: antes e agora

Depois que o amálgama dentário foi introduzido nos Estados Unidos na década de 1830, muitos dentistas da época consideraram que era um material inferior. A Sociedade Americana de Cirurgiões Dentistas (ASDS), a única associação odontológica existente na época, classificou seu uso como negligência médica e exigiu que todos os seus membros assinassem um compromisso prometendo que não usariam o material. Isto levou à primeira “Guerra de Amálgama”, que durou até a década de 1850. Depois que a ASDS foi encerrada em 1856, e quando a American Dental Association foi fundada três anos depois, não houve tal proibição do amálgama. Devido a essa aprovação tácita da incipiente ADA, bem como aos avanços nas ciências e técnicas odontológicas em geral, o amálgama dentário tornou-se mais amplamente aceito como material de preenchimento e tem sido usado por quase todos os dentistas em todo o mundo desde então. Com muito poucas exceções, o amálgama dentário desfrutou de quase um século de aceitação inquestionável, com melhorias significativas sendo feitas na fabricação, composição e técnicas de colocação ocorrendo ao longo desse período.

Na sociedade atual, pela preocupação com a imagem, os pacientes normalmente desejam corrigir os dentes com materiais que pareçam naturais e realistas. Mesmo assim, o amálgama sempre terá lugar no arsenal do dentista. O amálgama é um material de preenchimento útil: é mais barato e, em algumas situações, mais duradouro do que as alternativas. Possui propriedades desejáveis ​​que são especialmente valorizadas em áreas onde a odontologia é principalmente orientada pelos custos, como regiões carentes do mundo (incluindo partes dos EUA), em clínicas de caridade, prisões, instituições de ensino, e assim por diante. O amálgama dentário é menos sensível à técnica do que as obturações compostas; é mais tolerante ser colocado em circunstâncias difíceis ou em ambientes úmidos (por exemplo, quando a cárie está abaixo do nível da gengiva ou em uma área de difícil acesso, como um dente do siso). Requer menos habilidade e treinamento para trabalhar e pode ser colocada mais rapidamente do que obturações compostas (da cor do dente).

Isto levanta a questão: uma vez que o mercúrio é uma neurotoxina conhecida, e uma vez que vestígios de mercúrio saem das obturações e chegam ao corpo, por que é que a sua utilização é permitida? Tal como acontece com a maioria das questões relativas à ciência e tecnologia, medicina e políticas públicas, normalmente não há respostas claras. Há muitas variáveis ​​a serem controladas, muitas equações de risco versus benefício a serem calculadas. Uma tentativa de discutir todos os cenários possíveis em que o papel do mercúrio no desenvolvimento patológico do cérebro e outras questões neurológicas e físicas versus o uso do mercúrio no comércio e na medicina seria exaustiva e exigiria um livro, não uma postagem no blog. A árvore de decisão na odontologia baseada em evidências é uma interação complexa entre os dados científicos conhecidos, o cuidado, a habilidade, o julgamento e a experiência do dentista, e as circunstâncias e preferências do paciente.

Uma breve cartilha sobre mercúrio

Mercúrio (símbolo atômico Hg) pode ser (mas não deveria ser! ) consumido em seu estado elementar (como líquido ou vapor), em sais inorgânicos e em compostos organomercúricos (isto é, ligado ao carbono). O metilmercúrio (o composto organomercúrico encontrado nos peixes) é o mais tóxico e é absorvido pelo trato digestivo. A fase do mercúrio encontrada no amálgama é o mercúrio elementar (o elemento líquido que escorre de um termômetro quebrado), que é processado principalmente nos pulmões por inalação, sendo muito pouco absorvido no trato gastrointestinal. A exposição a compostos de mercúrio pode vir de diversas fontes; o principal deles é o consumo de peixe, mas também pode ocorrer devido à exposição ambiental, à exposição a escorrimento acidental (por exemplo, a quebra de um termómetro ou de uma lâmpada) ou de amálgama dentária. Os sintomas de toxicidade por mercúrio incluem sudorese profusa, pele rosada ou vermelha, descamação (descamação) da pele, ataxia (má coordenação) e perda de equilíbrio, disfagia (dificuldade em engolir), outros déficits sensoriais, confusão, neuropatia periférica e morte.

Ingestão diária de mercúrio

Nos EUA, a FDA estabeleceu uma ingestão diária aceitável de mercúrio de 0,4 microgramas por quilograma de peso corporal por dia. A investigação mostra que esta quantidade de mercúrio, consumida durante longos períodos ao longo da vida, apresenta um risco negligenciável de resultados adversos para a saúde, mesmo nas populações humanas mais sensíveis (mulheres grávidas, fetos em desenvolvimento, crianças pequenas ou pessoas com doença renal, por exemplo). ). A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu um padrão de 1,6 microgramas por quilograma de peso corporal por semana, cumulativamente menos do que o valor da FDA. Embora nem a FDA nem a OMS revisem as suas recomendações para mulheres grávidas ou amamentando, recomendam a redução da quantidade e dos tipos de frutos do mar, a fim de minimizar a absorção e transferência de mercúrio para o feto ou a criança que está amamentando.

Muitas pesquisas odontológicas foram feitas nos últimos vinte anos na área do amálgama dentário e seus efeitos na saúde humana. A comunidade médica científica está agora de acordo em geral que os pacientes com obturações de amálgama dentária estão cronicamente expostos ao mercúrio (uma pequena quantidade de vapor de mercúrio é libertada de uma obturação durante a mastigação, ranger de dentes, etc.) e que a absorção diária média de mercúrio a partir de amálgama dental é de 3 a 17 microgramas por dia, o que se correlaciona com cerca de 7-50% da ingestão diária aceitável do FDA (dependendo do peso corporal e outras variáveis, como escovação de dentes, número e tamanho das obturações, hábitos de apertar e ranger, mascar chiclete , etc.). Até à data, os estudos não demonstraram qualquer correlação entre amálgama dentária e defeitos congênitos ou problemas de saúde adversos em pacientes com amálgama dentária ou em profissionais de saúde dentária que estão expostos a ela diariamente. A FDI World Dental Federation, a maior organização odontológica do mundo, divulgou um documento político que enfatizava que não há evidências científicas documentadas que demonstrem efeitos adversos do mercúrio em restaurações de amálgama, exceto em casos extremamente raros de hipersensibilidade ao mercúrio. O Princípio de Ética e Código de Conduta Profissional da American Dental Association afirma explicitamente: “remoção de restaurações de amálgama do paciente não alérgico com o suposto propósito de remover substâncias tóxicas do corpo, quando tal tratamento for realizado exclusivamente por recomendação do dentista, é impróprio e antiético.”

Nos Estados Unidos, o amálgama não é regulamentado como material pelo FDA, mas como dispositivo protético. Devido a esta classificação, o amálgama não é obrigado a passar pelos mesmos testes de segurança exigidos para produtos farmacêuticos. Em 2009, a FDA emitiu uma decisão que reclassificou o mercúrio de um dispositivo de classe I (menor risco) para um dispositivo de classe II (mais risco). Por causa disso, uma etiqueta de advertência deve ser incluída em cada embalagem de amálgama dentário que diz: “O amálgama dentário demonstrou ser um material restaurador eficaz que apresenta benefícios em termos de resistência, integridade marginal, adequação para grandes superfícies oclusais e durabilidade . O amálgama dentário também libera baixos níveis de vapor de mercúrio, um produto químico que, em altos níveis de exposição, está bem documentado por causar efeitos adversos neurológicos e renais à saúde.”

Remoção de amálgama para curar doenças sistêmicas

Na década de 1970, um dentista chamado Hal Huggins começou a defender a remoção em massa de obturações de amálgama, alegando que a toxicidade do mercúrio causada por elas causava doenças como esclerose múltipla, doença de Crohn, lúpus, artrite, leucemia e muitas, muitas mais. Posteriormente, ele perdeu sua licença odontológica por “'propaganda enganosa, porém sedutora', ao enganar seus pacientes para que substituíssem suas obturações de amálgama por outros materiais restauradores, muitas vezes com grande custo para o paciente. Desde então, o movimento anti-amálgama ganhou força e impulso, com organizações inteiras como a Academia Internacional de Medicina Oral e Toxicologia (com as suas próprias revistas e conferências) ostentando milhares de membros. Felizmente para o público, muito poucos dentistas são tão zelosos na remoção de obturações de amálgama como Hal Huggins, mas há uma crença generalizada entre os dentistas anti-amálgama de que a toxicidade do mercúrio é um perigo real e sério, e eles estão pressionando por uma legislação que proíba o amálgama. John Dodes foi o autor de uma excelente revisão da literatura sobre o uso do amálgama e as alegações adversas à saúde feitas pelos oponentes do amálgama e concluiu que “aqui existem numerosos erros lógicos e metodológicos na literatura anti-amálgama… (e) que as evidências que apoiam a segurança das restaurações de amálgama são convincentes.”

Consentimento informado no uso de amálgama dentário

Ao escolher um material dentário a utilizar na restauração dentária, o dentista (em colaboração com o seu paciente e com base nos dados científicos mais recentes e fiáveis) deve identificar qual deles servirá melhor o paciente, reduzindo ao mesmo tempo a probabilidade de quaisquer efeitos adversos. Muitos fatores entram em jogo neste processo de tomada de decisão: a resistência, durabilidade e longevidade do material, factores de custo, preocupações cosméticas, compatibilidade biológica (ou seja, baixo potencial alérgico ou de hipersensibilidade), etc. É aceito como verdadeiro: é forte e durável, é barato quando comparado com outros materiais odontológicos (ouro, porcelana, compósito) e não é esteticamente atraente. Na área da saúde (embora tenha sido demonstrado que não causa problemas médicos) muitos pacientes têm a preocupação de colocar uma neurotoxina conhecida no seu corpo, e esta é uma preocupação que não deve ser menosprezada, especialmente em mulheres grávidas e crianças.

Ao apresentar opções a um paciente, o dentista prudente explicará objetivamente todos os riscos e benefícios, bem como custos, ao paciente. Claro que o dentista pode dar a sua opinião profissional sobre qual seria a opção mais favorável, mas em última análise a escolha é do paciente e o dentista deve respeitar esta escolha. Para muitos, o amálgama dentário é uma escolha aceitável e um risco aceitável. Para outros, a escolha e os riscos são inaceitáveis ​​e as alternativas são então utilizadas. Crianças e mulheres em idade fértil são de particular interesse para o dentista prudente, uma vez que este subgrupo (ou o potencial feto nele contido) é considerado como tendo um risco aumentado de toxicidade por mercúrio se exposto. Além disso, quais são as ramificações e considerações éticas do consentimento de uma mãe para com seu filho (nascido ou não nascido)? Finalmente, o dentista deve levar em consideração a ingestão total de mercúrio ambiental de uma pessoa, e não apenas aquela devido às obturações de amálgama. Por exemplo, se uma pessoa consome uma grande quantidade de peixe e outros alimentos ricos em mercúrio, então mesmo um nível “seguro” de amálgama dentária poderia, teoricamente, empurrar a carga de mercúrio para níveis inseguros. Outro dilema no processo de tomada de decisão é a quase total ausência de estudos randomizados controlados nesta área; nossos únicos dados provêm de estudos de coorte menos robustos . Mesmo que estes estudos inferam um risco mínimo para o feto ou para a criança pequena, o dentista pode ter dificuldade em assegurar com segurança à mãe ou ao pai que a colocação de amálgamas dentárias no seu filho (ou na mãe grávida) é segura. Se houver complicações no parto, ou se a criança desenvolver algum distúrbio neurológico, o dentista será responsabilizado?

Conclusão: Amálgamas dentárias equilibram utilidade e segurança

Nos Estados Unidos, no Canadá e em muitos países do mundo, os cidadãos orgulham-se das qualidades de autonomia, autodeterminação, autodireção e liberdade de escolha, incluindo as decisões que envolvem cuidados de saúde. As agências reguladoras que regem o uso do amálgama na América do Norte (EPA, FDA, ADA, CDA, et.al.) fazem recomendações baseadas na ciência, utilizando pesquisas de alta qualidade para avaliar os dados mais atuais sobre a segurança do amálgama. Equilibrar o baixo risco de exposição ao mercúrio com os benefícios para o público em geral de tal material é uma tarefa contínua, e uma tarefa que as várias agências revisitam com regularidade, fazendo novas recomendações e orientações conforme as evidências justificam. Até à data, eles fizeram um excelente trabalho (na opinião do autor) com as suas recomendações, uma vez que estudos retrospectivos confirmam as suas decisões como responsáveis ​​e precisas; no entanto, os estudos RCT “padrão ouro” permanecem disponíveis. Por enquanto, a amálgama dentária continua sendo um material restaurador seguro e eficaz quando indicado. Se, no futuro, os estudos demonstrarem definitivamente que estão a ser causadores de ​​danos, os novos regulamentos e diretrizes serão alterados para refletir isso. Os dentistas baseados em evidências mudarão então seus protocolos de forma adequada.


Nota: Na verdade, as obturações dentárias não contêm plutônio.

Artigo original AQUI

Gravura gerada por IA Free

(Obs.:) Amálgama pode ser substantivo feminino ou masculino


sexta-feira, 22 de março de 2024

A segurança e a necessidade da reposição hormonal feminina


O artigo a seguir é do site Science Based Medicine, de Harriet Hall. É uma análise de um importante livro que fez uma das mais robustas revisões sobre o tema controvertido da segurança da reposição hormonal para mulheres após a menopausa. Uma análise que buscou sempre investigar números e fatos. Tem um conjunto de percepções muito instigantes. Mas o título sintetiza o resultado dessa análise: 


O ESTROGÊNIO FAZ DIFERENÇA
 

Expressões controversas a seguir:

1)   A reposição de estrogênio interrompe as ondas de calor e é uma verdadeira fonte de juventude.

2)   A reposição de estrogênio é perigosa: mata mulheres.

3)   Previne doenças cardíacas.

4)   Causa doenças cardíacas.

 

É uma mensagem que continua se alterando. Em qual devemos acreditar?

Avrum Bluming é um oncologista cuja prática tem sido 60% dedicada ao câncer de mama. Carol Tavris é psicóloga social, feminista e cética que escreve a coluna “The Gadfly” para a revista Skeptic e cujos muitos livros incluem o clássico Mistakes Were Made (But Not by Me). Eles ficaram alarmados com os muitos mal-entendidos sobre a reposição hormonal na menopausa e colaboraram para esclarecer as coisas com um novo livro amplamente referenciado, “Strogen Matters”  [O estrogênio é importante: por que tomar hormônios na menopausa pode melhorar o bem-estar das mulheres e prolongar suas vidas – sem aumentar o risco de câncer de mama].

 

CENÁRIO

 

Quando eu praticava nas décadas de 1970 e 80, era prática padrão oferecer hormônios de reposição às mulheres na menopausa. Mas os médicos não estavam prescrevendo à toa. As evidências da época mostravam que era de longe o tratamento mais eficaz para ondas de calor e outros sintomas da menopausa. As evidências da época mostravam que o estrogênio reduzia o risco de osteoporose e doenças cardíacas. Na minha experiência, não era prescrito apenas para prevenir essas doenças, mas a prevenção era vista como um benefício adicional para as mulheres que precisavam de estrogénio para controlar os sintomas da menopausa. Houve um pequeno risco de coágulos sanguíneos e outros efeitos adversos, mas considerou-se que os benefícios superavam os riscos.

A terapia de reposição hormonal (TRH) veio em dois modelos. Mulheres com útero intacto receberam uma combinação de estrogênio e progesterona, uma vez que se sabia que o estrogênio sem oposição poderia dar origem ao câncer de útero (mais especificamente de endométrio, a mucosa interna do útero, que está sujeita a descamação nos fluxos menstruais, NT). Mulheres que fizeram histerectomia poderiam usar apenas estrogênio (TRE) com segurança. O estrogênio estaria contraindicado para mulheres que tiveram câncer de mama.

Na década de 1990, as evidências indicavam que o estrogênio reduzia o risco de doenças cardíacas em 40-50%, de fraturas de quadril em 50%, de câncer de cólon em 50% e de Alzheimer em 35%.

Um artigo de 1997 estimou que a TRH prolongaria a vida em 3 anos.

 

A (pesquisa) Iniciativa de Saúde da Mulher (WHI)

Então veio uma bomba. Em 2002, os resultados do estudo WHI foram alardeados em manchetes com a mensagem “OOPS! Nós estávamos errados. Os hormônios fazem mais mal do que bem!” Eles estavam essencialmente dizendo “Segure seus cavalos!” (uma expressão adequada, já que o estrogênio mais comumente prescrito, Premarin, é produzido a partir da urina de éguas grávidas).

Este estudo teve um impacto enorme porque foi um estudo padrão-ouro: grande, randomizado, prospectivo, controlado por placebo e duplo-cego. Os indivíduos foram randomizados para receber hormônios ou placebos e foram acompanhados por 15 anos. Foi publicado em uma das revistas médicas de maior prestígio. O estudo foi interrompido precocemente quando detectou um aumento no câncer de mama, doença coronariana, acidente vascular cerebral e embolia pulmonar em mulheres que tomavam estrogênio e progesterona. O estudo foi visto como uma prova definitiva de que a TRH era perigosa, de que os riscos superavam quaisquer benefícios.

Milhares de mulheres ficaram com medo de perder seus hormônios. As vendas da Premarin caíram de US$ 2 bilhões para US$ 880 milhões. Algumas dessas mulheres tentaram outros remédios e depois voltaram para Premarin porque foi a única coisa que funcionou para elas. Os médicos aprenderam a prescrever de forma mais seletiva e as vendas voltaram a subir. O novo mantra era “a menor dose no menor tempo”.

 

[MAS] O que o WHI realmente mostrou?

A mídia deturpou e interpretou mal as conclusões do WHI, dando a impressão de que a TRH estava matando mulheres. Nem tanto. Ao longo de 10.000 pessoas/ano, as mulheres que tomaram estrogênio mais progesterona tiveram 7 eventos coronarianos a mais, 8 derrames a mais, 8 êmbolos pulmonares a mais e 8 cânceres de mama invasivos a mais do que as mulheres que não tomaram hormônios; mas eles também tiveram 6 cânceres colorretais a menos e 5 fraturas de quadril a menos . No grupo que recebeu apenas estrogênio, houve uma diminuição do risco de doença coronariana e câncer de mama. E em ambos os grupos não houve aumento na mortalidade geral . Essas mulheres contraíam mais algumas doenças e menos outras, mas não morriam mais rápido.

Ao longo dos anos, desde o relatório inicial, houve uma série de estudos de acompanhamento do mesmo grupo de mulheres, introduzindo nuances e até revertendo algumas das conclusões. Bluming e Tavris relatam essas descobertas detalhadamente e descrevem como o estudo original da WHI apresentava falhas.

 

Sintomas da menopausa

Muitos sintomas incômodos são relatados por mulheres na menopausa: ondas de calor, perda de desejo sexual, relações sexuais dolorosas devido à secura vaginal, dificuldade para dormir, palpitações, ataques de ansiedade inexplicáveis ​​e incomuns, dificuldade de concentração, pensamento confuso e muito mais. O livro de DeLuca, The Hormone Myth , questiona quantas mulheres apresentam esses sintomas e em que grau. E se todos esses sintomas são realmente devidos a baixos níveis hormonais ou podem ser devidos a outros fatores em suas vidas. É inegável que algumas mulheres apresentam sintomas graves da menopausa que interferem nas suas atividades e reduzem a sua qualidade de vida, e que os estrogénios são de longe o tratamento mais eficaz. O WHI não abordou de forma alguma estes sintomas; na verdade, as pacientes do WHI tinham em média 63 anos de idade, além da idade em que os sintomas da menopausa são mais prováveis. Certamente o alívio dos sintomas debilitantes deve ser levado em consideração em qualquer discussão sobre a relação risco/benefício para um paciente individual.

 

Câncer de mama

 

Em 2000, numerosos estudos demonstraram que o estrogénio não aumentava o risco de câncer da mama, nem mesmo em pacientes com BRCA1, (consideradas) de alto risco; na verdade, havia evidências de que reduzia o risco.

O medo do câncer de mama baseava-se em dois estudos:

1.     Um estudo de 1989 na Suécia mostrou um aumento de 440% no risco de câncer de mama entre mulheres que faziam TRH. Mas não encontrou risco aumentado em mulheres que tomaram apenas estrogênio. E os 440% basearam-se em 10 mulheres que desenvolveram câncer de mama, em vez dos 2,2 esperados. Com números tão pequenos, poderia ter sido um acaso estatístico. E nem foi estatisticamente significativo!

2.     O estudo da Lancet de 1997 não mostrou nenhum aumento significativo no câncer da mama entre mulheres que tomaram TRH no passado, independentemente do tempo que a tomaram. Mas encontrou um risco aumentado em mulheres que ainda tomavam TRH e a usavam há 5 anos ou mais. O risco aumentado foi pequeno: 0,6 casos por 100 mulheres após 10 anos ou mais.

O (estudo) Iniciativa de Saúde da Mulher encontrou um aumento de 26% no risco de câncer de mama invasivo em mulheres que tomam estrogénio e progesterona combinados. Mas as letras miúdas diziam que o número de 26% “quase atingiu significância estatística nominal”. Ou seja, não houve aumento significativo. E não houve risco aumentado em mulheres que usaram apenas estrogênio, nem mesmo um aumento não significativo.

O WHI continuou a fazer análises de acompanhamento e a publicar resultados atualizados:

·         Em 2006, uma análise de acompanhamento do mesmo grupo de mulheres não encontrou risco aumentado com o tratamento combinado de estrogênio-progesterona. Desta vez, a notícia não ganhou as manchetes.

·         Em 2008, outro acompanhamento encontrou um aumento não significativo na mortalidade por todas as causas e nenhum aumento na mortalidade por câncer de mama.

·         Em 2010, outro acompanhamento mostrou um aumento nas mortes por câncer de mama (2,6 vs. 1,3 por 10.000) em mulheres em uso de TRH em comparação com placebo. Mas [mesmo] isto não foi estatisticamente significativo .

·         Em 2018, os investigadores da WHI anunciaram que a dose de estrogénio nos cremes vaginais não está associada a um risco aumentado de câncer da mama. [Na prática quem usa estriol, o mais utilizado].

 

Seguiu-se o Million Women Study, que relatou um aumento no câncer de mama tanto com estrogênio isolado como com estrogênio/progestina combinados. Mas apenas em usuárias atuais, não em usuárias anteriores. Bluming e Tavris perguntam: “Se o estrogênio é um importante fator de risco para o câncer de mama, por que tomá-lo durante anos não seria um problema, mas tomá-lo no momento do estudo seria um risco?” As pílulas anticoncepcionais contêm os mesmos hormônios, e a maioria dos estudos não mostrou associação com câncer de mama. E as taxas de sobrevivência das mulheres com câncer da mama são mais elevadas se estivessem a tomar contraceptivos orais no momento do diagnóstico.

 

Eles fornecem uma tabela de fatores de risco associados ao câncer de mama. O estrogênio reduz o risco (risco relativo de 0,77), o WHI relatou um aumento no risco com estrogênio e progesterona (risco relativo de 1,24 ou 1,26). Outras coisas que aumentam o risco incluem consumo de peixe (1,14), uso de multivitamínicos (1,19), álcool (1,26), batatas fritas (1,27), trabalho noturno (1,51), aumento da ingestão de carboidratos (2,22), canhoto (2,41), e uso de cobertor elétrico (4,90).

Eles prosseguem discutindo armadilhas de pesquisa como mineração de dados e análises de subestratificação, que em um caso levaram à descoberta de que a aspirina teve um efeito adverso na mortalidade de pacientes nascidos sob os signos astrológicos de Gêmeos e Libra, mas foi benéfica para pacientes nascidos sob todos os outros signos astrológicos. sinais. Um estudo de 2000 do Instituto Nacional do Câncer não encontrou nenhum risco aumentado com o estrogênio sozinho, e um risco aumentado com a terapia combinada, mas apenas em mulheres que usaram hormônios nos quatro anos anteriores ao diagnóstico e que pesavam quarenta quilos ou menos.

Embora algumas pesquisas indiquem um aumento de 2% no câncer de mama, outras pesquisas mostram que as mulheres que fazem TRH vivem mais e têm uma taxa de mortalidade menor por câncer de mama.

Eles enfatizam que correlação não é causalidade. Então, como podemos abordar o mosaico de descobertas sobre o câncer de mama? Eles mostram como cada um dos critérios de causalidade de Bradford Hill apoia a descoberta de que fumar causa câncer de pulmão. Depois mostram que a hipótese de que o estrogénio causa câncer de mama não cumpre nenhum dos critérios de Bradford Hill.

Eles dizem: “é hora de relegar o “conhecimento comum” de que a TRE e a TRH causam câncer de mama para a lata de lixo de ideias desacreditadas, juntamente com as teorias de que a mastectomia radical é o melhor tratamento para o câncer de mama primário, que a raiva causa úlceras pépticas, e que o estresse causa tuberculose.”

 

Osteoporose

Eles explicam que a densidade óssea (medida pela DEXA) não é o mesmo que a resiliência óssea (um fator clinicamente mais significativo que não pode ser medido). A osteopenia não tem significado médico; não prevê risco de fratura de quadril. Os autores criticam a Big Pharma por promover medicamentos que são menos eficazes e causam mais efeitos colaterais do que os estrogênios. Remédios como Fosamax devem ser usados ​​para osteoporose, não para osteopenia. Os bifosfonatos podem até causar fraturas de quadril.

Nenhuma terapia é mais eficaz que a TRE e a TRH na prevenção de fraturas osteoporóticas da coluna e do quadril. Reduz o risco em 33-50%. Mas requer dez anos e possivelmente um tratamento para toda a vida. Mulheres entre 65 e 74 anos tiveram uma redução de 63% nas fraturas de quadril, mas se parassem de tomar estrogênio a redução caiu rapidamente para 18%.

Bluming e Tavris não recomendam estrogênio para prevenção da osteoporose em todas as mulheres: a grande maioria não desenvolverá osteoporose nem morrerá por causa dela. Mas a investigação é convincente de que as mulheres de alto risco beneficiariam se continuassem a tomar estrogênios.

 

A doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer é comum e devastadora, e os tratamentos disponíveis apenas melhoram alguns dos sintomas, mas não fazem nada para retardar a progressão da doença. Há evidências de que já temos um poderoso preventivo: décadas de pesquisas indicaram que o estrogênio ajuda a preservar a capacidade cognitiva de mulheres na pós-menopausa e reduz o risco de Alzheimer.

Em 2003, o Estudo de Memória WHI descobriu exatamente o oposto. O estrogénio mais progesterona duplicou o risco relativo (1,8% vs 1%) de demência em mulheres com mais de 65 anos. Bluming e Tavris dizem que a descoberta foi estatisticamente significativa, mas não convincente nem clinicamente relevante. O risco absoluto era pequeno, os indivíduos não eram todos saudáveis ​​e não eram representativos do usuário típico, o tamanho da amostra era pequeno e o risco aumentado foi encontrado apenas em mulheres com mais de 75 anos e no primeiro ano de uso, sugerindo pré-existente demência. E não houve aumento no comprometimento cognitivo leve que deveria preceder a demência. Os relatórios tenderam a negligenciar a descoberta de que não houve um aumento estatisticamente significativo no risco apenas com o estrogénio. Um acompanhamento de 2004 relatou que o risco aumentado ocorria apenas em mulheres com deficiência cognitiva no início, e não em mulheres que eram cognitivamente saudáveis. Resumindo: a descoberta de um pequeno aumento no risco de demência não poderia ser estendida a todas as formas de TRH ou mesmo às mulheres com maior probabilidade de iniciar a TRH.

Há evidências abundantes, incluindo evidências de estudos em animais e de laboratório, de que o estrogênio iniciado no início da menopausa pode prevenir ou retardar o início da demência, incluindo a doença de Alzheimer. E traz ainda mais benefícios para o cérebro: estimula o crescimento das células nervosas, promove a plasticidade cerebral, potencializa a ação das células gliais, melhora o fluxo sanguíneo cerebral e muito mais. Numerosos estudos clínicos apoiam esses benefícios, e três grandes metanálises descobriram que a TRH estava associada a uma redução de 34% no risco de demência e a uma redução de 40% no risco de Alzheimer.

Doença cardíaca e acidente vascular cerebral.

A evidência mostra que quando a TRH é iniciada logo após a menopausa, pode reduzir a incidência de doenças cardíacas e derrames.

Câncer de mama pré-existente

A sabedoria convencional diz que as mulheres que tiveram câncer da mama não devem tomar estrogênio. Essa sabedoria convencional nunca foi apoiada por nenhuma boa evidência. As pacientes de Bluming com câncer de mama queriam alívio dos sintomas da menopausa, então ele começou a investigar o assunto. Ele descobriu que nem a redução dos níveis de estrogênio pela remoção dos ovários nem o aumento dos níveis pela gravidez tiveram qualquer efeito na recorrência do câncer de mama. Ele fez seu próprio estudo e descobriu que a TRH não teve efeito na taxa de recorrência. Numerosos outros estudos posteriormente confirmaram suas descobertas, com apenas um único estudo apontando o contrário. Na verdade, há evidências de que a TRH pode reduzir a taxa de recorrência e prolongar a sobrevida.

 

 

Progesterona

O estrogênio sozinho parece ser mais seguro do que o estrogênio mais progesterona. Eles discutem a diferença entre progestágenos, progesterona e progesterona micronizada, que parece ser a forma mais segura.

 

Câncer de cólon
Há outro benefício adicional. Os dados do estudo WHI mostraram que as mulheres que faziam qualquer forma de TRH tinham um risco 30% menor de câncer de cólon. Outros estudos demonstraram que a TRH em forma de pílula (em oposição ao adesivo) está associada a um menor risco de câncer de cólon e a uma menor taxa de mortalidade por câncer de cólon, caso o contraiam. A maioria dos estudos, embora não todos, confirmam essas descobertas.

 

Câncer do ovário

Os contraceptivos orais reduzem a taxa de câncer de ovário em até 80% e o risco reduzido persiste por quase 20 anos após a interrupção da pílula.

 

A reposição hormonal estava matando mulheres?

Quando os resultados do estudo WHI foram divulgados, a taxa de prescrição de TRH caiu 70%. A incidência de câncer de mama diminuiu nos oito meses seguintes, mas isso não pode ser atribuído ao menor número de mulheres que tomam estrogênio. O desenvolvimento do câncer demora mais de 8 meses e, na verdade, o declínio começou três anos antes do anúncio do WHI. E na Noruega, embora as mulheres abandonassem a THS nas mesmas taxas, a taxa de diagnósticos de câncer da mama não diminuiu.

Muitas pessoas parecem estar comprometidas com a ideia de que um fenômeno natural, a menopausa, foi medicalizado e que os hormônios causam câncer. Quando os pesquisadores realizaram reanálises que contradiziam suas conclusões anteriores, eles normalmente hesitaram, procurando outras explicações, aparentemente incapazes de dizer algo de bom sobre a TRH. O psicólogo cognitivo Daniel Kahneman chama isso de “cegueira induzida pela teoria”, onde a adesão a uma teoria torna as pessoas incapazes de ver suas falhas ou aceitar novas evidências.

 

Tomar a dose mais baixa em menos tempo?

Não há base científica para a recomendação de tomar a dose mais baixa no menor tempo possível. A Sociedade Norte-Americana de Menopausa aconselha os médicos a se afastarem desse conselho simplista e, em vez disso, prescreverem a dose e a formulação que atendem às necessidades e preocupações de cada paciente com base na idade da mulher, no momento da menopausa e em quaisquer riscos específicos à saúde que ela possa ter. O livro fornece uma longa lista de organizações que endossam o uso continuado da TRH após os 65 anos de idade.

Críticas ao WHI

O WHI era amplamente confiável porque era um grande estudo padrão-ouro. Mas Bluming e Tavris mostram que, neste caso, o padrão-ouro tinha pés de barro. Eles listam dez problemas principais:

1.     A publicação foi apressada antes mesmo que a maioria dos co-investigadores tivesse visto o rascunho. Há razões para pensar que alguns deles teriam objetado. Mais tarde, um deles publicou um relato contundente sobre as violações do processo científico.

2.     A descoberta inicial de que a TRH aumentou o risco de câncer de mama não foi estatisticamente significativa.

3.     Os sujeitos não eram representativos de mulheres na menopausa: a idade média era de 63 anos.

4.     A amostra não foi representativa de mulheres saudáveis. Quase metade eram fumantes atuais ou anteriores; mais de um terço foi tratado para hipertensão; 70% estavam gravemente acima do peso ou obesos.

5.     As conclusões foram inconsistentes e contraditórias: em 2002, um aumento não significativo do risco; em 2006, nenhum aumento do risco; e descobriu-se posteriormente que as mulheres que tomavam apenas estrogênio apresentavam um risco menor.

6.     Algumas das descobertas foram resultado da mineração de dados.

7.     Eles alegaram que o estrogênio nem sequer ajudava a aliviar os sintomas da menopausa, mas não havia base para essa afirmação: eles não haviam estudado mulheres que realmente apresentavam sintomas da menopausa.

8.     As alegações iniciais de que a TRH aumentava o risco de doenças cardíacas foram posteriormente revertidas: as mulheres que iniciaram a TRH nos primeiros dez anos após a menopausa tiveram, na verdade, um risco reduzido de doenças cardíacas.

9.     Relatos de um risco aumentado de acidente vascular cerebral foram o resultado de manipulações estatísticas. Quando os dados foram analisados ​​de forma independente, o suposto risco aumentado de acidente vascular cerebral desapareceu.

10  Muitos dos investigadores do WHI continuaram a promover alternativas à TRH que afirmam incorretamente serem igualmente eficazes. A maioria de suas sugestões não é melhor que placebos.

 

Além do mais, alguns dos investigadores manifestaram a sua agenda declarada para provar que as hormonas eram prejudiciais.

Apesar das revelações sobre as falhas do WHI, muitas pessoas ainda consideram o WHI a prova definitiva de que a reposição hormonal faz mais mal do que bem. Até mesmo John Ioannidis, um notório crítico da investigação paga pela indústria e autor de um importante estudo que mostra que a maior parte da investigação publicada está errada, acredita que os dados que implicam as hormonas como um risco de câncer da mama são fortes e cientificamente fiáveis. Ele e Bluming concordaram em discordar.

 

Entenda e depois aconselhe

Eles sugerem uma nova máxima. Em vez de primum non nocere , (primeiro não faça mal) primum certior fi, tunc mone (primeiro entenda, depois aconselhe).

Este livro é uma mudança refrescante em relação ao livro usual que promove uma agenda concentrando-se em um lado de uma questão divisiva. Por ser homem, Bluming não é candidato à TRH; sua única agenda é ajudar seus pacientes. E Tavris também não é candidata: na idade dela, ela já passou da janela de oportunidade de dez anos. Apresentam com rigor as evidências de ambos os lados e as divergências entre os cientistas. E eles não pretendem dizer aos pacientes o que eles “deveriam” fazer. Eles defendem decisões individualizadas com base em muitos fatores, como a gravidade dos sintomas da menopausa e o risco do paciente de osteoporose, doença cardíaca, câncer de cólon, etc.

 

O estrogênio é o único tratamento realmente eficaz para ondas de calor e outros sintomas da menopausa. Tem um grande efeito na qualidade de vida, bem como em muitos outros benefícios à saúde. Os autores dizem que a verdadeira questão não é se ajuda, mas quem ajuda e quando . Parece haver uma janela de oportunidade crítica: a década seguinte ao início da menopausa.

Eles citam Sir George Pickering: “Se você é médico, deve acreditar que sabe o que ajudará seu paciente; caso contrário, você não pode aconselhar, não pode prescrever. Se você é um cientista, entretanto, deve estar inseguro – um cientista que não faz mais perguntas é um mau cientista.”

Bluming diz:

A prática da oncologia exige assim uma dança constante entre o que sabemos e o que devemos aprender; talvez seja por isso que dizemos que os cirurgiões realizam cirurgias, mas os médicos praticam medicina.

Conclusão: Estrogênio justificado

Antes considerada uma verdadeira fonte de juventude, a reposição de estrogênio teve uma má reputação no estudo da Women's Health Initiative. Este livro é uma justificativa exaustivamente pesquisada e meticulosamente fundamentada da terapia de reposição hormonal. O estrogênio é importante: é o tratamento mais eficaz para ondas de calor e outros sintomas da menopausa e, quando iniciado precocemente e usado continuamente, traz importantes benefícios à saúde e pode realmente prevenir alguns dos eventos adversos que se pensava causar. Bluming e Tavris contam a história do estrogênio de uma forma acessível ao público em geral e apropriada para profissionais. Além do mais, eles fornecem informações valiosas para a compreensão da pesquisa e como até mesmo os melhores estudos randomizados e controlados podem levar a temores públicos injustificados e recomendações clínicas imprudentes.

Muito esclarecedor!

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(publicado originalmente em 04/09/2018)

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Autores do livro

(A autora do artigo, dra Harriet Hall, cofundadora do fórum Science Based Medicine, infelizmente faleceu em janeiro de 2023)